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E a verdade é que eu não sou, Ed, é isso que eu queria dizer. Eu não sou diferente. Eu não sou das artes como diz todo mundo que não me conhece, eu não pinto, eu não desenho, eu não toco nada, eu não canto. Eu não atuo, eu queria dizer tudo isso, eu não escrevo poemas. Não sei dançar exceto quando fico tontinha nas festas. Eu não sou atlética, eu não sou gótica, nem animadora de torcida, não sou tesoureira nem cocapitã. Não sou gay e não saí do armário, não sou o carinha do Sri Lanka, não sou trigêmea, nem filinha de papai, nem bêbada, nem gênio, nem hippie, nem crente, nem vagabunda, nem uma daquelas meninas super judias da gangue do quipá que passa desejando feliz Sucot para todo mundo. Eu não sou nada, foi isso que percebi chorando com o Al (…). Eu não sou romântica, não sou miolo mole. Só os burros acham que eu sou inteligente. Eu não sou alguém que todo mundo deveria conhecer. Eu sou uma lunática procurando restos, sou como qualquer imbecil fracassado de quem já desviei e fingi que não conhecia. Sou todos eles, todas as coisas feias numa fantasia de última hora. Eu não sou diferente, nem um pouco, diferente de nadinha nesse mundo.
Min, “Por Isso A Gente Acabou” -
